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A MULHER, A SERPENTE E A PROFECIA

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A MULHER, A SERPENTE E A PROFECIA

Por que o diabo quis impedir que as pessoas conhecessem o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem?

O Papa Bento XV classificou o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, como um “livro da mais suave unção”.

De fato, todo seu conteúdo é sublime e nos apresenta não apenas uma espiritualidade que eleva e enriquece aqueles que procuram vivenciá-la e que beneficia imensamente o próximo por causa da doação dos méritos espirituais, mas também porque demostra de modo claro a estratégia estabelecida por Deus para neutralizar a ação do inimigo e estabelecer no mundo o Reinado de Jesus Cristo.

Em Gênesis 3,15 lê-se que o próprio Deus estabeleceu o ódio entre a serpente e a mulher, entre sua descendência e a dela; e fazendo ver que estamos em uma batalha espiritual, antecipa o conhecimento do resultado final dessa guerra entre o bem e o mal, confiando à mulher e à sua descendência a missão de esmagar a cabeça do inimigo, que por sua vez procurará sempre armar-lhe ciladas.

O diabo – melhor do que nós – conhecia a profecia e sabia que mais cedo ou mais tarde ela se cumpriria. Com efeito, o inimigo sabia que Deus não fez uma mera ameaça, mas uma promessa onde decretava sua derrota.

A mulher é claramente Nossa Senhora, razão pela qual Jesus no alto da cruz, quando nos consagra a Ela, entregando-nos a seus cuidados, não utiliza o termo “mãe”, mas “mulher” (Jo 19,26). A palavra “mulher” aqui não é uma palavra de desprezo, ou que denote qualquer frieza para com a Mãe Santíssima, mas sim uma palavra técnica, precisa, muito bem colocada, pela qual Jesus queria nos fazer compreender que a Virgem Maria era a mulher destinada pelo Pai através da qual se cumpriria a profecia (Gen 3,15). Ele, seu único filho segundo a carne, entrega a Ela uma numerosíssima descendência na pessoa de João, quando diz: “Mulher eis aí o teu filho”.

A Igreja interpretando este gesto do Senhor diz que em João, todos fomos entregues à Maria Santíssima, razão pela qual o Papa Paulo VI declarou Maria “Mãe da Igreja”. Ela é a mulher da profecia. Cristo, a cabeça da Igreja, e nós, seus membros, somos a descendência da mulher.

Jesus nos entregou a Maria, dando a Ela a amorosa autoridade de mãe sobre todos, para que Ela nos ensinasse a amá-Lo, levando-nos a fazer tudo o que Ele mandou, e assim nos mantivéssemos em comunhão com Ele e com mais facilidade perseverássemos em sua graça.

O desejo do inimigo é arrastar-nos para o inferno, tentando-nos de todos os modos possíveis para nos desviar do caminho de Deus e para que reneguemos a sua vontade, perdendo a sua graça e, portanto, a comunhão com Ele.

Jesus nos deu Maria como antídoto contra o inimigo. É Ela que, como boa Mãe nos ajudará a acolher e compreender melhor a vontade de Deus e a rejeitar as tentações do inimigo, levando-nos a esmagar sua cabeça, ou seja, a rejeitar suas propostas que nos fariam perder a amizade e a comunhão com Deus.

O povo cristão sempre venerou a Santíssima Virgem e recorreu à sua materna intercessão, mas só pouco a pouco se foi compreendendo seu papel no plano da salvação e como efetivamente Ela contribuiria em nosso processo de santificação e salvação.

Quando São Luís Maria Grignion de Montfort escrevia o Tratado da Verdadeira Devoção mostrando de modo claro e elevado a importância e a necessidade de uma verdadeira devoção para com a Virgem Santíssima para nossa santificação pessoal, para benefício do próximo, assim como para o cumprimento da profecia; o inferno se revoltou e satanás mostrou todo seu pavor e ódio contra a consagração ali ensinada; pois ele compreendeu muito bem que se o mundo conhecesse a devoção e a consagração do modo como Montfort as apresentava, a profecia que o Pai havia feito em Gênesis 3,15 se cumpriria, de modo que sua cabeça seria esmagada, sua ação neutralizada e seu reino destruído.

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Tal é o pavor que o conteúdo do Tratado impõe ao inferno, que o inimigo em uma atitude ousada, jamais vista na história, tenta destruir o pequeno livro. Não sendo, entretanto, permitido por Deus tal coisa, ele empreende todos os esforços para escondê-lo, de “modo que não apareça” (T.V.D. 144) e o mundo não o conheça…

Em sua sabedoria Deus permitiu tal ação, de modo que o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem escrito em 1712 desapareceu e só foi reencontrado 130 anos depois, em 1842, sendo prontamente publicado e posteriormente traduzido em mais de 60 línguas.

Deus permitiu que o inimigo escondesse o Tratado por tanto tempo para que assim ficasse manifesto todo o medo que ele tem da consagração ali ensinada e assim compreendêssemos bem com que arma deveríamos derrotá-lo.

Após 75 anos que o Tratado da Verdadeira Devoção foi encontrado, em 1917 Nossa Senhora aparece em Fátima e depois de mostrar o inferno aos pastorinhos e muitas almas que aí caíam “por não haver quem rezasse e se sacrificassem por elas” diz: “Para salvar as almas dos pobres pecadores, meu Filho quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.

É Jesus que novamente volta seu olhar para nós e apontando para sua Mãe diz: “Eis aí tua mãe”… Ele quer que se estabeleça no mundo a verdadeira devoção ao Coração da Virgem Imaculada, ou seja, aquela devoção e aquela entrega que Ele mesmo quis que tivéssemos para com sua Mãe Santíssima quando no-la deu por Mãe, e a fez Senhora, submetendo a Ela os nossos corações.

Em Fátima nada de novo é dito. Ao manifestar o desejo do coração de seu Filho a Santíssima Virgem simplesmente recorda a todos a profecia do Pai (Gen. 3,15) e a ordem do Filho (Jo. 19,26), que respectivamente lhe confiou a missão de derrotar o inimigo, esmagando-lhe a cabeça e de proteger e educar a descendência que Deus lhe confiou ensinando-a a amá-lO verdadeiramente.

Em Fátima Nossa Senhora nos faz compreender, que por vontade de Deus, a devoção e a consagração ao Seu Imaculado Coração precedem toda e qualquer devoção, não por ser mais importante, mais por ser uma condição para se fazer e viver bem qualquer outra devoção ou espiritualidade, sendo assim, aqueles que pela Total Consagração entram na Escola do Imaculado Coração de Maria, aprendem com ela a adorar de modo mais profundo a Jesus no Santíssimo Sacramento, a venerar de maneira mais elevada o Seu Sacratíssimo Coração, a deixar-se conduzir com muita mais docilidade pelo Espírito Santo, a honrar com mais perfeição os anjos e santos de Deus.

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Mais… Deus nos faz compreender que nesta batalha espiritual, seu plano para combater o inimigo e estabelecer o reinado de seu Filho no mundo, continua exatamente o mesmo, pois disse Nossa Senhora: “Por fim meu Imaculado Coração triunfará”. O Triunfo do Imaculado Coração de Maria consiste tão somente em fazer de Jesus o Senhor de todos os corações. Consiste em acolher todos em seu Coração para ensiná-los a fazer tudo que Jesus mandou.

Maria reina em nós quando Jesus é feito Rei de nossos corações.

O inimigo sabe que se todos forem a Maria Santíssima, então aprenderão com Ela a amar a Deus e a rejeitar as seduções do mal, por isso escondeu por tanto tempo o Tratado da Verdadeira Devoção, que nos ensina quem é Nossa Senhora e qual sua missão no processo de nossa santificação e salvação, como devemos nos entregar e consagrar a Ela, para que Ela tenha a liberdade de nos formar na fé e nos consolidar no amor a Jesus Cristo Nosso Senhor.

No diário da Divina Misericórdia de Santa Faustina Kowalska, Jesus dizia à santa que da Polônia faria surgir uma centelha, através da qual incendiaria o mundo. Sem dúvida, essa centelha foi São João Paulo II, que em sua vida e doutrina nos deu a síntese de Montfort e Fátima.

São João Paulo II tornou-se uma centelha que incendiaria o mundo, sobretudo no que se refere à sua devoção e consagração a Nossa Senhora. Ele fez perceber pelo seu exemplo e doutrina a importância e o lugar de Nossa Senhora na vida dos cristãos e de toda a Igreja. Colocou a base para uma profunda e extensa divulgação de Total Consagração, uma vez que leu o Tratado e fez a Consagração Total quando ainda era seminarista e adotou como lema de seu pontificado o “Totus Tuus”, resumo de sua total entrega a Mãe de Deus.

Esse grande Papa, escravo por amor, recomendando a todos que fizessem essa consagração, escreveu à família Monfortana pedindo que não se “deixasse escondido esse tesouro de graça”.

Tomando consciência do plano e da estratégia de Deus para salvar o seu povo e dar cumprimento à profecia, derrotando o inimigo de nossa salvação, compete a nós hoje, nas pegadas de São Luís de Montfort, respondendo ao apelo de Fátima a exemplo de São João Paulo II, fazer de tudo para conhecer, viver e divulgar a Total Consagração para que venha logo o prometido Triunfo do Imaculado Coração e o Reinado de Jesus Cristo Nosso Senhor.

O demônio teve grande pavor e ódio do Tratado da Verdadeira Devoção, o que o levou a escondê-lo por 130 anos… Façamos exatamente o contrário!!! Trabalhemos para difundi-lo em todo o mundo, levando todos à Escola do Imaculado Coração onde o mundo compreenderá aquilo que não somos capazes de explicar, e entender o que não somos capazes de fazer compreender com palavras.

 

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Que todos amem a Jesus com toda a força, com toda alma, com todo coração e com todo entendimento. Que Ele reine no mundo e em nossos corações.

Trabalhemos para que se cumpra a profecia!

Assista à palestra desta formação:

Templário de Maria