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‘Pessoas que têm mais cultura têm menos filhos’ – o que a Igreja ensina sobre o planejamento familiar?

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‘Pessoas que têm mais cultura têm menos filhos’ – o que a Igreja ensina sobre o planejamento familiar?

Bolsonaro foi eleito por defender valores cristãos, como por exemplo o combate ao aborto, mantendo a posição mesmo após eleito. Com isso ganhou a simpatia do público católico. Entretanto, recentemente fez uma declaração em favor do planejamento familiar como meio instrumento para escolher o número de filhos, mas o que muitos católicos não sabem, é que este posicionamento vai contra os ensinamentos da Doutrina da Igreja.

Segundo o Globo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que “pessoas que têm mais cultura têm menos filhos” ao defender uma política de planejamento familiar. Em entrevista coletiva na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que ele era “uma exceção à regra”.

Em seguida, ele defendeu a adoção de uma política de planejamento familiar, apontando que nascem 70 milhões de pessoas no mundo por ano. Pai de cinco filhos, ele citou o próprio exemplo como uma exceção.

— Não é controle não, você vai botar na capa da “Folha” amanhã que eu tô dizendo que tem que ter controle de natalidade. Planejamento familiar. Você olha que as as pessoas que têm mais cultura têm menos filhos. Eu sou uma exceção à regra, tenho cinco, tá certo? Mas como regra é isso — afirmou após apontar que nascem 70 milhões de pessoas no mundo por ano.

O presidente disse que o mundo tem hoje aproximadamente 7,6 bilhões de habitantes e se referiu a números que disse ter recebido do Ministério da Defesa, contabilizados no alistamento militar obrigatório, que equivale a nascidos há 18 anos, para dizer que o Brasil ganha um pouco mais de 2 milhões de habitantes anualmente.

A Igreja Católica permite planejar o número de filhos?

Do ponto de vista da Moral Católica, o casal pode espaçar o nascimento de filhos, se for necessário, desde que para tal fim sejam usados métodos naturais. Ensina o Catecismo que, por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos […] Porém, vale ressaltar que tal desejo não seja proveniente do egoísmo, mas sim de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral”. (Catecismo, n.2368).

Para tal fim, uma vez que somente por meio de métodos naturais este processo é lícito, existe por parte do Magistério um incentivo para que sejam promovidos “centros com os métodos naturais de regulação da fertilidade como válida ajuda à paternidade e maternidade responsável. (…) É precisamente esse respeito que torna legítimo, ao serviço da procriação responsável, o recurso aos métodos naturais de regulação da fertilidade; estes têm-se aperfeiçoado progressivamente sob o ponto de vista científico e oferecem possibilidades concretas para decisões de harmonia com os valores morais”. (Evangelium Vitae, n. 88).

Por conseguinte, a Santa Mãe Igreja ensina que “[…] os métodos de regulação da natalidade baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos estão de acordo com os critérios objetivos da moralidade, pelo fato que eles respeitam o corpo dos esposos, animam a ternura entre eles e favorecem a educação de uma liberdade autêntica” (Catecismo, n. 2370).

Métodos naturais

Os métodos naturais de regulação da natalidade são os únicos aceitos pela Igreja, porém, vale ressaltar que mesmo os métodos naturais não devem ser utilizados como se fossem preservativos ou anticoncepcionais. Só devem ser usados caso hajam motivos realmente graves .

Os mais conhecidos são: o método da temperatura basal, da visualização da saliva no microscópio e o método de ovulação Billings.

Leia também: Se os casais católicos não podem evitar filhos, para que serve o Método Billings?

O método Billings atualmente é o mais usado. Destaca a CNBB, no Diretório da pastoral familiar, que quando bem observados os dias férteis juntamente com a abstinência do ato sexual nestes dias, o método possui uma altíssima eficácia. A Organização Mundial da Saúde confirma até 99% de eficiência. (CNBB, 2005, n. 84).

A Igreja não cessa de ensinar que os filhos são bênçãos de Deus, e não maldição. Atesta o Catecismo que os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais. (Catecismo, n.2378).

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Fonte: cancaonova.com

Controle de Natalidade

A Igreja ensina que o amor, o matrimônio, o sexo e a procriação são coisas que caminham juntas. Isso é tudo. Porém, é muito importante. E ainda que a Igreja ensine isso há 2.000 anos, provavelmente nunca foi tão significativo como hoje em dia.

As regras contra o controle da natalidade foram reafirmadas em um documento de 1965 assinado pelo Papa Paulo VI, chamado ‘Humanae Vitae’. O Papa advertia que, se fosse aceito o uso generalizado de anticonceptivos, se produziriam quatro efeitos:

  • Redução geral dos padrões morais;
  • Um aumento da infidelidade e da ilegitimidade;
  • Redução das mulheres a objetos empregados para satisfazer os homens;
  • Coerção, por parte dos Governos, em assuntos reprodutivos.

Soa familiar?

Porque realmente se parece muito com o que está ocorrendo nos últimos 40 anos.

Leia também: A pergunta que não quer calar: Bolsonaro é realmente Católico?

Responsabilidade

Como escreveu George Akerloff em ‘Slate’ há uma década: ‘Ao converter o nascimento do filho em uma escolha física da mãe, a revolução sexual converteu o matrimônio e o sustento das crianças em uma escolha social do pai’.

Ao invés de dois pais responsáveis pelos filhos que concebem, uma expectativa defendida pelas normas sociais e pela lei faz com que agora nenhum dos pais seja necessariamente responsável por seus filhos. Considera-se que os homens cumprem as suas obrigações simplesmente pagando, mediante ordem judicial, a pensão alimentícia aos filhos. Trata-se de uma redução bastante drástica dos padrões da ‘paternidade’.

E que tal avançarmos no restante, desde que o ocorreu a revolução sexual? O matrimônio de Kim Kardashian durou 72 dias. Os filhos ilegítimos: estão aumentando. Em 1960, 5,3% de todos as crianças nascidas nos Estados Unidos eram filhas de mulheres solteiras; em 2010, a cifra subiu para 40,8%. Em 1960, as famílias baseadas em um matrimônio formavam quase 3/4 de todos os lugares; mas, segundo o censo de 2010, representam agora cerca de 48%. A coabitação fora do matrimônio multiplicou-se por 10 desde 1960.

E se você não acredita que as mulheres estão sendo reduzidas a objetos para satisfazer os homens, seja bem-vindo à Internet! Há quanto tempo você conhece a Rede? E no tocante à coerção do Governo: basta olhar para a China (ou para os Estados Unidos, onde o Governo estabeleceu uma lei sobre cobertura obrigatória da anticoncepção, que é o motivo pelo qual estamos agora falando disto).

Mas tudo isso se deve à Pílula? Obviamente que não. Porém, a ideia de que uma disponibilidade geral da anticoncepção não deu lugar a uma mudança social dramática ou que esta mudança foi exclusivamente para o bem é uma noção muito mais absurda do que qualquer coisa ensinada pela Igreja Católica.

Também é absurda a ideia de que é obviamente estúpido receber indicações morais de um fé venerável – E vai recebê-las de quem? De Britney Spears?

Leia também: Alerta: “O anticoncepcional me fez ter um AVC aos 20 anos”

A população do mundo

Passemos agora para um outro aspecto deste tema. A razão pela qual o nosso editor pensa que os católicos não deveriam ser frutíferos e multiplicarem-se tampouco se sustenta. A população do mundo – escreve ele – está em um caminho ‘insustentável’ de crescimento.

O Escritório de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas considera que a taxa de crescimento da população diminuirá nas próximas décadas e se estabilizará por volta dos 9 bilhões em 2050… e ficará assim até 2300 (e observemos que as Nações Unidas, que promovem o controle da natalidade e os abortos em todo o mundo, não são precisamente partidárias do ‘crescei e multiplicai-vos’).

Em termos mais gerais, a visão malthusiana do crescimento tem persistido, apesar de ter sido provado várias vezes que estava equivocada e que teria causado desnecessariamente uma grande quantidade de sofrimentos humanos. Por exemplo: a China caminha para uma crise demográfica e até para a deslocação social em razão de sua equivocada política do filho único.

O progresso humano são as pessoas. Tudo o que torna a vida melhor, da democracia à economia, passando pela Internet e a penicilina, foi descoberto ou criado por alguém. Mais pessoas significa mais progresso. O inventor da cura para o câncer poderia ser o quarto filho que alguém decidiu não ter.

 

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Finalmente, para resumir:

  • É uma boa ideia que as pessoas deem fruto e se multipliquem;
  • Independentemente do que lhe parece a posição da Igreja sobre o controle da natalidade, é uma posição que se tem demonstrado ser profética.

Link para o artigo em inglês: http://www.businessinsider.com/time-to-admit-it-the-church-has-always-been-right-on-birth-control-2012-2