“Afirmo solenemente que Bento XVI sabia que o nosso projeto tomaria a forma de um livro. Posso dizer que trocamos várias provas para estabelecer as correções. Vou postar esta manhã um comunicado mais detalhado para restaurar a verdade.”

Entenda o que está acontecendo, assista este vídeo:

Leia o comunicado na Íntegra

Comunicado de Sua Eminência o Senhor Cardeal Robert SARAH
14 de janeiro de 2020

No último dia 5 de setembro, após uma visita ao mosteiro Mater Ecclesiae, onde vive Bento XVI, escrevi ao Papa emérito para lhe pedir se possível que escrevesse um texto sobre o sacerdócio católico, com uma atenção particular a respeito do celibato. Expliquei-lhe que eu mesmo havia começado uma reflexão, em oração. E adicionei: “Imagino que o senhor pensaria que as suas reflexões poderiam não ser oportunas por conta das polêmicas que elas provocariam, talvez nos jornais, mas estou convencido que toda a Igreja tem necessidade deste dom, que poderia ser publicado no Natal ou no início do ano de 2020”

Em 20 de setembro, o Papa emérito me agradeceu, ao me escrever que ele também, por sua vez, antes mesmos de ter recebido a minha carta, havia começado a escrever um texto a este respeito, mas que suas forças não lhe permitiriam mais redigir um texto teológico. Não obstante, minha carta o encorajava a retomar esse longo trabalho. Ele acrescentou que transmitiria o texto a mim assim que a tradução em língua italiana estivesse pronta.

Em 12 de outubro, durante o sínodo dos bispos sobre a Amazônia, o Papa emérito me enviou sob confidencialidade um longo texto, fruto de seu trabalho meses. Ao constatar a amplitude deste escrito, tanto sobre o conteúdo quanto à forma, eu imediatamente considerei que ele não seria de se propor a um jornal ou a uma revista, tanto por seu volume como por sua qualidade. Então, imediatamente propus ao Papa emérito a publicação de um livro que seria um imenso bem para a Igreja, integrando o seu próprio texto e o meu. APós diversos intercâmbios em vista da elaboração do livro, eu, finalmente, enviei, em 19 de novembro, um manuscrito completo ao Papa emérito contendo, como havíamos decidido em comum acordo, a capa, uma introdução e uma conclusão comuns, o texto de Bento XVI e o meu próprio texto. Em 25 de novembro, o Papa emérito exprimiu sua grande satisfação a respeito dos textos redigidos em comum e adicionou isto: “De minha parte, estou de acordo de que o texto seja publicado na forma que o senhor previu”.

Em 3 de dezembro, dirigi-me ao Mosteiro Mater Ecclesiae para agradecer mais uma vez o Papa emérito de me conceder tão grande confiança. Eu lhe expliquei que nosso livro seria impresso durante as férias de Natal, que seria lançado na quarta-feira, 15 de janeiro, e que, consequentemente, eu viria lhe trazer a obra no início de janeiro, após retornar de uma viagem ao meu país natal.

A polêmica que visa há várias horas me manchar, ao insinuar que Bento XVI não fora informado da publicação do livro “Do mais profundo de nossos corações”, é profundamente abjeta. Eu perdoo sinceramente a todos que me caluniam ou que querem me opor ao Papa Francisco. Minha ligação com Bento XVI permanece intacta e minha obediência filial ao Papa Francisco absoluta.