fbpx

Como poderemos aquecer corações e atrair se nossas homilias são manifestos ideológicos?

Formações, análises e notícias católicas

Como poderemos aquecer corações e atrair se nossas homilias são manifestos ideológicos?

Dom Henrique: “A verdadeira urgência não é ir atrás dos distantes com palavras pomposas, mas fortalecer nossa vivência, aprofundar nossa identidade”

(ACI Digital) Dom Henrique Soares da Costa, bispo da diocese pernambucana de Palmares, compartilhou em seu blog a seguinte reflexão e exortação a respeito da real missão da Igreja:

Urgências para a Igreja hoje

Fala-se tanto em missão – é um imperativo sempre presente, pois que é mandato do próprio Senhor: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19s).

O mandato é este, a ordem é clara, simples, direta, altiva, do Senhor nosso Deus, e ninguém pode mudá-la, silenciá-la, amaciá-la, adulterá-la, deformá-la!

Mas atenção: a missão é algo muito mais amplo e profundo que um qualquer programa com tempo e método determinados. A missão é uma constante, uma tensão, uma tendência, uma consciência, uma disponibilidade a compartilhar a alegria, a felicidade, a plenitude, a certeza e experiência de crer e viver no Senhor Jesus Cristo:

“Anunciamo-vos a Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu! O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa” (1Jo 1,2b-4).

Sendo assim, antes que de missão no sentido de ir em busca dos distantes, de recuperar perdidos ou de fazer novos cristãos na nossa sociedade descristianizada, deveríamos nos perguntar pelo nosso modo de aderir e viver o Cristo como Igreja.

Isto posto, a verdadeira urgência hoje não é ir atrás dos distantes com palavras pomposas e análises tão vistosas e empoladas quanto artificiais e inúteis, com piruetas e cambalhotas, mas sim fortalecer nossa vivência, aprofundar nossa identidade, recuperar nossa mística, tomar a sério o desafio de santidade, estreitar nossos laços fraternos, corrigir os abusos tremendos na nossa liturgia, formar nosso padres e seminaristas, fazer voltar ao verdadeiro e simples radicalismo evangélico os nossos religiosos.

Como poderíamos encantar alguém para Cristo quando nossas comunidades são desencantadas e desencantadoras?

Como poderíamos aquecer corações e atrair se nossas homilias são manifestos ideológicos, eivados de politicamente correto e modismos mundanos? Como ousamos pensar seriamente em missão aos distantes quando até mesmo os que nos procuram saem de nós decepcionados e os que são dos nossos nos deixam, escandalizados?

Eis a urgência:

  • paróquias mais vivas de Cristo,
  • paróquias mais comunidades em Cristo,
  • padres mais padres, religiosos mais religiosos,
  • uma fé mais levada a sério na doutrina e na vida concreta,
  • uma moral cristã mais assumida na amorosa radicalidade de Cristo, sem descontos ao mundo e ao pecado,
  • uma liturgia mais sacral, centrada em Deus e no Seu Cristo e não no homem,
  • uma vida cristã mais santa, segundo o Evangelho e não segundo o mundo,
  • cristãos que acreditam verdadeiramente no que creem, guardando intacto o precioso tesouro da doutrina católica e apostólica.

Daqui nascerá a missão, com força, juventude, vigor e entusiasmo contagiante: porque será transbordamento de uma experiência e de uma vida vivida em comunidade com o Senhor; porque outros sentir-se-ão atraídos pela beleza da vida cristã…

Leia também: Análise mais completa da situação da Igreja: uma ameaça, uma chance!