Categorias
Sínodo da Amazônia

Padres brasileiros assinam manifesto da Teologia da Libertação contra “Dragão do Tradicionalismo”

FacebookWhatsAppTwitterEmailCopy LinkShare

Um manifesto de apoio a Dom Orlando Brandes, Arcebispo da Arquidiocese de Aparecida-SP, foi escrito e assinado por diversos padres brasileiros, condenando católicos tradicionais e políticos da direita, chamando-os de “Dragão do Tradicionalismo”.

Neste manifesto eles expressam solidariedade a Dom Orlando, e afirmam que o país está tomado por focos de “histeria e conservadorismo”, que formam uma conspiração religiosa para a prática de injustiças sociais.

Eles condenam na nota o “apego ao passado, a ideias não arejadas, a estruturas caducas. Normalmente, esse apego se dá diante do medo em relação às coisas novas, medo de abrir-se às novas realidades”.

Na nota também afirmam que é inadmissível que hajam questionamentos contra a CNBB (conjunto de bispos), críticas às heresias presentes no documento preparatório do Sínodo da Amazônia, observações sobre o Concílio Vaticano II e críticas a atitudes do Papa Francisco (bispo de Roma). Dizem que todos os que buscam esclarecimentos quanto às atitudes que divergem da Doutrina, Magistério e Tradição Católica não estão em comunhão com a Tradição “VIVA” da Igreja.

Além de praticamente “excomungar” aqueles que vêm publicamente questionar atitudes e pronunciamentos que vão contra a doutrina da Igreja, eles os compararam aos “antigos inquisidores, dizendo que ao invés de zelo, esses católicos tradicionais, que se preocupam com a Santa Igreja, “têm raiva e agressividade, e estão sempre com pedras nas mãos.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia a nota abaixo, na íntegra, juntamente com o nome dos padres que a assinaram:

Prezado Dom Orlando Brandes,
Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Aparecida/SP.

Nó somos um grupo de padres, brasileiros, que moram e trabalham no Brasil ou que estão momentaneamente fora do país, bem como também de padres de outros países que trabalham no Brasil, de diversas dioceses e congregações religiosas, que está muito preocupado com os rumos que o país vem tomando e com o avanço de correntes de pensamento, dentro da Igreja, que se colocam abertamente contra o Papa e contra as intuições proféticas de tantos bispos brasileiros desde o Concílio Vaticano II.

Por meio desta carta, queremos expressar ao senhor nossa solidariedade, bem como, dizer abertamente, que a sua fala nos representou e representa grande parte dos católicos de nosso país. Estamos vendo um país tomado por focos de histeria e de conservadorismo. Esses focos, localizados em grupos de inspiração religiosa, buscam interesses próprios e usam a fé para justificar injustiças sociais, tornando a religião um
instrumento de alienação.

Leia também: Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesse sentido, o senhor falou abertamente do “dragão do tradicionalismo” e da “violência e injustiça da direita”. O “Dragão”, que no Apocalipse (Ap 12,3-9) é símbolo do mal (e do poder do Império Romano) procura “devorar a mulher”, símbolo da Igreja. O tradicionalismo é sim um dragão, quando procura ser um instrumento de dominação e subjugação das pessoas. Tradicionalismo não é Tradição. A Tradição da Igreja é o próprio ser da Igreja que, em sua vida, doutrina e culto nos ensina o que é o que crê (DV 8). O tradicionalismo é um apego exagerado ao passado que impede o avanço efetivo das pessoas e da sociedade. A Tradição da Igreja é viva. O Tradicionalismo está morto.

Como o senhor externou, também nós vemos, com clareza, no “dragão do tradicionalismo”, um apego ao passado, a ideias não arejadas, a estruturas caducas. Normalmente, esse apego se dá diante do medo em relação às coisas novas, medo de abrir-se às novas realidades. Na Igreja, o tradicionalismo é o medo diante da ação renovadora do Espírito Santo. A fidelidade de alguns grupos tradicionalistas à Tradição da Igreja é falsa. Isso é visível pelo simples fato de que é a Tradição da Igreja que nos ensina que o Bispo de Roma é sucessor de Pedro e que o Concílio possui autoridade sobre toda a Igreja. Aqueles que questionam o conjunto dos bispos, o Sínodo, o Concílio e o Bispo de Roma não estão em comunhão com a Tradição viva da Igreja.

Quando o senhor fala da “direita violenta e injusta”, não é necessário sequer demonstrar o quanto isso é obvio. Nunca, em todo o tempo em que a teologia latinoamericana teve maior influxo no Brasil e na Igreja, os teólogos assim chamados de “esquerda”, questionaram a autoridade dos bispos, do Concílio ou do Papa. Tão pouco encontrou-se em seus discursos apologia à violência, à discriminação ou julgamentos descontextualizados e absolutamente alheios à realidade da grande maioria do nosso povo. A expressão: “bandido bom é bandido morto” sempre esteve nos mesmos lábios e não foram os lábios de teólogos inseridos na realidade e imersos na teologia latinoamericana.

A violência e a injustiça ficaram bastante visíveis, palpáveis, na maneira como as críticas foram dirigidas ao senhor. Vídeos, postagens nas redes sociais, denuncias, etc. O teor das críticas e a forma como foram feitas, ensopadas de raiva e agressividade (que alguns, como os antigos inquisidores, consideram “santo zelo”), nada mais é do que a confirmação de suas palavras. O agressor se denuncia pela sua própria maneira de agir.

Também Nosso Senhor enfrentou o centro do poder religioso e pagou com a vida. Na sua morte, entrega total e plena, fomos redimidos. Antes porém, ele alertou os detentores do poder religioso, os homens piedosos de sua época dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, tu que matas os profetas e apedrejas aqueles te que foram enviados” (Lc 13,34), mas eles tramaram e conseguiram a morte de Jesus. Os sentinelas da “religião”, da “moral” e dos “bons costumes”, estão sempre em prontidão com a pedras nas mãos.

Leia também: Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno

Por isso, reiteramos ao senhor nossa solidariedade e nosso apoio em momento tão difícil. Sabemos como são tratados os profetas. A elite sempre preferiu pastores que sejam, na linguagem do profeta Isaías, “cães que não ladram” (Is 56,10), homens fechados em si mesmos, em suas preocupações pessoais, mas que mantenham o povo calmo, serenado pela religião que aliena da realidade. Mas, recordamos ao senhor as palavras de Santo Oscar Romero que dizia: “em um país de injustiças se a Igreja não é perseguida é porque é conivente” e, especialmente, as palavras de Jesus: “bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus” (Mt 5,10).

Nosso abraço, nossa solidariedade e pedimos a sua benção!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assinam:

Dom Sílvio Guterres Dutra – Diocese de Vacaria – RS

Fr. Alexandre Magno Cordeiro da Silva, ofm
Fr. João Fernandes Reinert – Diocese de Duque de Caxias- RJ
Fr. Jorge Skiavini – Diocese de Petrópolis- RJ
Fr. Luis Carlos Susin – RS
Fr. Olavio Dotto – assessor Pastorais Sociais
Fr. Orestes Serra, ofm – Paróquia Santa Clara – Porto Alegre- RS
Fr. Sérgio Gorgen ofm.
Fr. Vanildo Luiz Zugno – Porto Alegre- RS
Fr. Wellington, OFM

Leia também: A pergunta que não quer calar: Bolsonaro é realmente Católico?

Pe. Adalberto Lumertz Borges – Dom Pedro de Alcântara -RS
Pe. Adir Rodrigues – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Alberto Marques de Sousa, MI – Arquidiocese de Viena/Austria
Pe. Antenor Dalla Vecchia – Scalabriniano – SP
Pe. Antônio Carlos Frizzo – São Paulo – SP
Pe. Antônio Lopes de Lima – Diocese de Limoeiro Norte- CE
Pe. Antônio Luiz Marchioni – Diocese de São Miguel Paulista – SP
Pe. Badacer Ramos de Oliveira Neto – Diocese de Itabuna – BA.
Pe. Barbosa – Diocese de São Miguel Paulista – SP
Pe. Benedito Chaves Santos. C.Ss.R- Diocese de Macapá – AP
Pe. Benedito Ferraro – Arquidiocese de Campinas- SP

Pe. Carlos Pacchin
Pe. Carlos Roberto Borges Júnior – Diocese de Goiás – GO
Pe. Cezar Menegat – Diocese de Erexim – RS
Pe. Cleber Pagliochi – Abelardo Luz – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Cleto Stulp – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Décio Valdevino Marques – Arquidiocese de Maringá – PR
Pe. Djavan da Silva Fermandes – Diocese de Limoeiro do Norte-CE
Pe. Domingos Rodrigues Lopes – Diocese de Bagé – RS
Pe. Dúlcio Antônio de Araújo – Diocese de Joinville- SC
Pe. Edegar Barrozo – Pinheiro Machado – Diocese de Bagé – RS
Pe. Edegar Soares – Diocese de Santo Ângelo- RS
Pe. Edilberto Aparecido Brasil de Sá – Diocese de Afogados – PE

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia também: Sobre a queda dos católicos no Brasil

Pe. Edilberto Reis – Diocese de Quixadá- CE
Pe. Edivandro Luiz Frare – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Edson Luiz Bataglin – Diocese de Osório – RS
Pe. Eduardo Luis Haas – Diocese de Montenegro – RS
Pe. Elautério Conrado da Silva Junior – Diocese de Bagé – RS
Pe. Elautério Conrado da Silva Junior – Diocese de Bagé – RS
Pe. Emerson da Silva Lipinski – diocese de São José dos Pinhais – PR
Pe. Ezael Juliatto – Arquidiocese de São Paulo – SP
Pe. Flávio Lazzarin – Comissão Pastoral da Terra – Diocese de Coroatá – MA
Pe. Flávio Luiz Gonzaga dos Santos -CSSp. Superior do grupo Espiritanos da
Amazônia.

Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN
Pe. Francisco de Aquino Júnior – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Pe. Gianfranco Graziola – Vice Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária
São Paulo – SP
Pe. Gustavo Predebon – Diocese de Caxias – RS
Pe. Itacir Brassiani msf, – Superior provincial dos Missionários da Sagrada
Família, Passo Fundo – RS
Pe. Itamar Antonio Belebom – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Ivam Macieski – Diocese de Joinville – SC
Pe. Jaime Carlos Patias, conselheiro Geral IMC, Roma.
Pe. Jaime Schmitz – Diocese de São José dos Pinhais – SP
Pe. Jandir Antônio Haas – Missionário da Sagrada Família – MG
Pe. Jean Carlos Demboski, Diocese de Erexim-RS
Pe. João Carlos Pacchin. – Diocese de Osasco – SP

Pe. João Paulo Ribeiro Lima – Diocese de Caxias do Maranhão – MA
Pe. Jolimar Márcio Lemos Silva – diocese de Santa Cruz do Sul – RS
Pe. Jorge Boran – CCJ São Paulo – SP
Pe. José Cândido Cocaveli de Andrade – Prelazia de Tefé – AM – (ITEPES)
Pe. José Domingos Bragheto -Arquidiocese de São Paulo
Pe. José Osterno de Aquino – Arquidiocese de São Paulo – SP
Pe. José Peixoto Alvez – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Pe. José Renato Back – Diocese de Santa Cruz do Sul – RS
Pe. José Renato Ferreira – São Paulo – SP
Pe. José Ronaldo de Oliveira – Arquidiocese da Paraíba-PB
Pe. Júlio Renato Lancellotti – Arquidiocese de São Paulo – SP
Pe. Julio Werlang – Missionários da Sagrada Família – Roma
Pe. Kleython Cabral de Moura – Prelazia de Tefé – AM.
Pe. Lauro Lopes da Silva – Diocese de Araçatuba SP.
Pe. Leandro Lopes – Diocese de Bagé – RS

Leia também: CAMPANHA DA FRATERNIDADE OU CAMPANHA PARA O PT?

Pe. Leomar Antonio Montagna – Maringá – PR
Pe. Leonardo Lucian Dall Osto – Em Roma – Diocese de Caxias do Sul – RS
Pe. Lotário José Niederle msf – Passo Fundo – RS
Pe. Lotário Thiel – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Luciano dos Santos – Diocese de Joinville – SC
Pe. Luciano Paulo Henkes Gattermann – da Diocese de Chapecó – SC
Pe. Luiz Marques Ferreira – Paróquia São José, Ingazeira – PE
Pe. Luizinho – Diocese de Afogados da Ingazeira – PE.
Pe. Magnos Giovani Hartmann – Diocese de Santo Ângelo – RS
Pe. Maicon Malacarne – diocese de Erexim – RS
Pe. Ir. Marceo Barros – OSB – PE
Pe. Marcelo Francisco Marques – Diocese de Santo Amaro – SP
Pe. Marciano Guerra – Diocese de Caxias do Sul – RS
Pe. Marco Antonio Cardoso da Silva – Arquidiocese de Manaus – AM
Pe. Marcos Pereira Siqueira – Prelazia de Tefé – AM
Pe. Mário Geremia – Arquidiocese São Sebastião – RJ
Pe. Maurício da Silva Jardim – Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Pe. Mauro Ferreira – Diocese de Osasco – SP
Pe Mauro Sérgio Rodrigues Maciel -Diocese de Osasco- SP
Pe. Nerlan Souza Gama – Santo Amaro – SP – Igreja Católica Ortodoxa

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pe. Olindo Antônio Zanini. C.Ss.R- Diocese de Macapá – AP
Pe. Omar dos Reis- Diocese de Osasco – SP
Pe. Otaviano Bezerra Santana Filho -Triunfo – PE
Pe. Paulo César Nodari – Diocese de Caxias do Sul -RS
Pe. Paulo Joanil da Silva, O.M.I.
Pe. Paulo Mayer – Diocese de Santa Cruz do Sul – RS
Pe. Paulo Tadeu Barausse – Arquidiocese de Manaus – AM
Pe. Raimundo Aristide da Silva Crl
Pe. Remi Gotardo Casagrande – Caxias do Sul – RS
Pe. Reneu Zortea – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Roberto Ferreira Rodrigues – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Pe. Rodrigo Schüler de Souza – Diocese de Osório – RS
Pe. Sebastião dos Reis Miranda – Diocese de Osasco – SP
Pe. Sérgio Barbosa do Amaral – Diocese São José dos Pinhais – PR

Pe. Tacizio Pontel – Carlista – RS.
Pe. Thomas James – Diocese de Quixadá – CE
Pe. Tiago Gomes – Diocese de Osório-RS
Pe. Valdecir Mayer Molinari – Scalabriniano – AM
Pe. Valdemar Scatolin – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Valter Fiorentin – Diocese de Chapecó – SC
Pe. Valter Girelli, Diocese de Erexim – RS
Pe. Vilson schafer – Santo Antônio da Patrulha – Diocese de Osório-RS
Pe. Wander Torres – Arquidiocese de Mariana- MG
Pe. Wellington Pain da Silva – GO
Pe. Wilson Zanatta – Diocese de Bagé – RS
Pe. Xavier Cutajar – Diocese de Osasco – SP

Leia também: Como poderemos crescer na fé quando enquanto padres e bispos não cumprem sua missão?

Entenda o que aconteceu

Durante a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), na missa da manhã, Dom Orlando Brandes atacou católicos que fazem críticas ao Sínodo da Amazônia, comparando católicos tradicionais e políticos conservadores ao demônio, utilizando a expressão “Dragão do Tradicionalismo!”.

Eis as palavras textuais do arcebispo:

“Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo. Parece que não queremos vida, o Concílio Vaticano segundo, o evangelho, porque ninguém de nós duvida que está é a grande razão do sínodo, do concílio, deste santuário”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assista abaixo:

No altar de Aparecida, Dom Orlando Brandes ataca católicos tradicionais e políticos de direita

Leia também: Qual a diferença entre um Católico Tradicional e um “RadTrad”?

FacebookWhatsAppTwitterEmailCopy LinkShare
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Clique aqui para fazer uma doação