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“Sínodo da Amazônia não é somente Heresia, mas estupidez!” afirma Cardeal Müller

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“Sínodo da Amazônia não é somente Heresia, mas estupidez!” afirma Cardeal Müller

“Heresia? Não somente, também é uma estupidez. O herege conhece a doutrina católica e a contradiz. Mas aqui (no documento do Sínodo da Amazônia) há somente uma grande confusão, e o centro de tudo não é Jesus Cristo, mas eles mesmos, suas ideias para salvar o mundo.”

Cardeal Gerhard Ludwig Müller

Infovaticana, 11 de julho de 2019.

“Não podemos fazer do ecologismo uma nova religião”, disse o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista publicada no La Nuova Bussola Quotidiana [1] e traduzida pelo Secretum Meum Mihi [2].

Eminência, o senhor disse que “querem mudar a Igreja”. Mas, quais são os sinais claros desse intento?

O enfoque do Instrumentum laboris é uma visão ideológica que não tem nada a ver com o Cristianismo. Querem salvar o mundo segundo a sua ideia, embora utilizando alguns elementos da Escritura. Não surpreende que, apesar de falarmos de Revelação, Criação, Sacramentos, relações com o mundo, quase não se faz referência aos textos do Concílio Vaticano II que definem esses temas: Dei VerbumLumen GentiumGaudium et Spes. Não se fala da raiz da dignidade humana, da universalidade da salvação, da Igreja como sacramento da salvação. Há somente ideias profanas, sobre as quais também se pode discutir, mas que não têm nada a ver com a Revelação.

Sobre isso, parece-me importante mencionar o n. 39 do Instrumentum laboris, no qual se fala de “um amplo e necessário campo de diálogo entre as espiritualidades, crenças e religiões amazônicas, que exige uma abordagem cordial das diferentes culturas”. E afirma: “a abertura não sincera ao outro, assim como uma atitude corporativista, que reserva a salvação exclusivamente ao próprio credo”.

Tratam o nosso Credo como se fosse a nossa opinião europeia. Porém, o Credo é a Revelação de Deus em Jesus Cristo, que vive na Igreja. Não há outro credo. Existem outras convicções filosóficas ou expressões mitológicas, mas ninguém se atreveu a dizer, por exemplo, que a sabedoria de Platão é uma forma de revelação de Deus. Na criação do mundo, Deus manifesta apenas a sua existência, e o seu ser é o ponto de referência da consciência, da lei natural; mas não há outra revelação fora de Jesus Cristo. O conceito de Lógos spermatikòs (as “sementes do Verbo”), recolhido pelo Concílio Vaticano II, não significa que a Revelação em Jesus Cristo exista em todas as culturas independentemente de Jesus Cristo, como se Jesus fosse apenas um desses elementos da Revelação.

O senhor está de acordo então com o Cardeal Brandmüller, que fala em “heresia” ao tratar desse documento [3].

Heresia? Não somente, também é uma estupidez. O herege conhece a doutrina católica e a contradiz. Mas aqui há somente uma grande confusão, e o centro de tudo não é Jesus Cristo, mas eles mesmos, suas ideias para salvar o mundo.

(Leia aqui o que disse o Cardeal Brandmüller)

No documento, a “cosmovisão” dos povos indígenas é colocada como modelo de ecologia integral, uma concepção em que os espíritos e as divindades agem “com e no território, com e na relação com a natureza”. E se associa com o “’mantra’ de Francisco: ‘Tudo está interligado’” (n. 25).

A “cosmovisão” é uma concepção materialista, similar à do Marxismo, e no final podemos fazer o que quisermos. Mas nós cremos na Criação, a matéria é a forma da essência da natureza, não podemos fazer o que quisermos. A criação é para a glorificação de Deus, mas também é um desafio para nós, chamados a colaborar com a vontade salvífica de Deus para todos os homens. Nossa tarefa não é preservar a natureza assim como é, senão que temos a responsabilidade com o progresso da humanidade, na educação, na justiça social, pela paz. Por isso os católicos constroem escolas, hospitais, essa também é a missão da Igreja. A natureza não pode ser idealizada, como se a Amazônia fosse uma parte do Paraíso, porque a natureza nem sempre é amorosa com o homem. Existem predadores na Amazônia, infecções, enfermidades. Essas crianças, jovens, têm inclusive direito a uma boa educação, a se beneficiarem da medicina moderna. Não se pode idealizar, como no documento sinodal, apenas a medicina tradicional. Uma coisa é tratar uma dor de cabeça, outra coisa são as doenças graves, operações complexas. O homem não só tem o direito, mas também o dever de fazer tudo o que for possível para preservar ou restabelecer a saúde. Mesmo o Concílio valoriza a ciência moderna, porque graças a ela temos vencido tantas enfermidades, temos reduzido a mortalidade infantil e também os riscos para as mães.

No entanto, as culturas e religiões tradicionais dos povos indígenas amazônicos são descritas como modelos de harmonia com a natureza.

Depois do pecado original não há nenhuma harmonia com a natureza. Ela é muitas vezes inimiga do homem. De qualquer forma, ela é ambivalente. Pensemos nos quatro elementos: terra, fogo, água, ar. Terremotos, incêndios, inundações, tempestades, são todas manifestações da natureza, perigo para o homem.

Tudo é lido na chave de uma devida “conversão ecológica”…

Devemos recusar de forma absoluta expressões como “conversão ecológica”. Só existe conversão ao Senhor, e como consequência também existe o bem da natureza. Não podemos fazer do ecologismo uma nova religião. Estamos aqui em uma concepção panteísta, que deve ser recusada. O panteísmo não é apenas uma teoria sobre Deus, mas também um desprezo pelo homem. O Deus que se identifica com a natureza não é uma pessoa. Deus, o Criador, ao contrário, criou-nos à sua imagem e semelhança. Na oração, temos uma relação com um Deus que nos escuta, que entende o que queremos dizer, não um misticismo em que podemos dissolver a identidade pessoal.

… e se considera mãe a Terra.

Nossa mãe é uma pessoa, não a Terra. Nossa mãe na fé é Maria. A Igreja também se descreve como mãe, enquanto esposa de Jesus Cristo. Mas essas palavras não devem ser infladas. Uma coisa é ter respeito por todos os elementos deste mundo, outra é idealizá-los ou divinizá-los. Essa identificação de Deus com a natureza é uma forma de ateísmo, porque Deus é independente da natureza. Ignoram totalmente a Criação.

No princípio dos anos 1980, o então Cardeal Ratzinger já via que as igrejas não pregavam mais sobre a Criação e previa consequências dramáticas.

De fato, todos esses erros nascem da confusão entre Criador e criatura, da identificação da natureza com Deus, e que entre outras coisas gera o politeísmo, porque cada elemento natural vem associado com uma divindade. A essência do monoteísmo bíblico é a diferença ontológica entre Criador e criado. Deus não faz parte de sua obra, é soberano sobre todas as coisas criadas. Isso não é desprezo, mas elevação da natureza. E os homens já não são escravos dos elementos, já não têm que adorar o deus do fogo, ou fazer sacrifícios ao deus do fogo para pacificar-se com um elemento que provoca medo. O homem é finalmente livre.

Nessa visão panteísta em que está preso o Instrumentum laboris subjaz também uma crítica ao antropocentrismo, que a própria Igreja deveria corrigir.

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É absurdo pretender que Deus não seja antropocêntrico. O homem é o centro da Criação, e Jesus se fez homem, não uma planta. Essa é uma heresia contra a dignidade humana. Ao contrário, a Igreja deve enfatizar o antropocentrismo, porque Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. A vida do homem é infinitamente mais valiosa que a vida de qualquer animal. Hoje existe uma inversão desse princípio: se um leão é assassinado na África, é um drama mundial; mas, se crianças são assassinadas no ventre da mãe, está tudo bem. Stálin também argumentou que essa centralidade da dignidade humana deveria ser eliminada; assim, podia chamar tantos homens para construir um canal e fazer com que morressem para o bem das gerações futuras. É para isso que servem essas ideologias, para fazer com que alguns dominem todos os demais. Mas Deus é antropocêntrico, a encarnação é antropocêntrica. A recusa do antropocentrismo vem apenas do ódio contra si mesmo e contra os outros homens.

Outra palavra mágica do Instrumentum laboris é a inculturação, frequentemente associada à Encarnação.

Utilizar a Encarnação quase como sinônimo de inculturação é a primeira mistificação. A Encarnação é um evento único, irrepetível, é o Verbo que se encarna em Jesus Cristo. Deus não se encarnou na religião judaica, não se encarnou em Jerusalém. Jesus Cristo é único. É um ponto fundamental, porque os sacramentos dependem da Encarnação, são presença do Verbo encarnado. Não se pode abusar de certos termos que são centrais no Cristianismo.

Voltemos à inculturação. Do documento sinodal se entende que é necessário adotar todas as crenças dos povos indígenas, seus rituais e seus costumes. Também se faz referência a como o Cristianismo das origens se inculturou no mundo grego. E se diz que, tal como foi feito, deve-se então fazer hoje com o povo amazônico.

Mas a Igreja Católica nunca aceitou os mitos gregos e romanos. Pelo contrário, recusou uma civilização que com a escravidão desprezava os homens, recusou a cultura imperialista de Roma e a pederastia típica dos gregos. A referência da Igreja era o pensamento da cultura grega, que chegou a reconhecer elementos que abriam o caminho para o Cristianismo. Aristóteles não inventou as dez categorias: estas já existem no ser, ele as descobriu. Como acontece na ciência moderna: não é algo que diz respeito apenas ao Ocidente, mas ao descobrimento de algumas estruturas e mecanismos que existem na natureza. O mesmo discurso vale para o direito romano, que não é nenhum sistema arbitrário. É o descobrimento de alguns princípios jurídicos que os romanos encontraram na natureza de uma comunidade. Certamente outras culturas não tiveram essa profundidade. Mas nós não vivemos na cultura grega, o Cristianismo transformou totalmente a cultura grega e romana. Certos mitos pagãos podem ter uma dimensão pedagógica para o Cristianismo, mas não são elementos que fundam o Cristianismo.

Nesse processo de inculturação, o Instrumentum laboris também “relê” os Sacramentos, principalmente com relação às ordens sagradas, sob o pretexto de que existem poucos sacerdotes em um território tão vasto.

É aqui onde fica demonstrado finalmente que o enfoque utilizado não tem nada a ver com o Cristianismo. A Revelação de Deus em Cristo se faz presente nos Sacramentos, e a Igreja não tem autoridade alguma para mudar a substância dos Sacramentos. Não são certos ritos dos quais gostamos, e o sacerdócio não é uma categoria sociológica para criar uma relação na comunidade. Qualquer sistema cultural tem os seus ritos e símbolos, mas os Sacramentos são meios da Graça divina, e por isso não podemos mudar o conteúdo nem a substância. Tampouco podemos mudar o rito, quando esse rito é constituído por Cristo mesmo. Não podemos fazer o Batismo com qualquer líquido, ele é feito com água natural. Na última ceia, Jesus Cristo não tomou qualquer bebida ou comida, tomou vinho de uva e pão de trigo. Dizem: mas o trigo não cresce na Amazônia, tomemos outra coisa. Isso não é inculturação. Não querem mudar apenas o que é de direito eclesiástico, mas também o que é de direito divino.

Eminência, uma última coisa, frequentemente o senhor se refere a “eles”, que querem mudar a Igreja. Mas, quem são “eles”?

Não depende de uma pessoa só ou de um grupo específico de pessoas. É um sistema, um pensamento, no qual por exemplo participam os que dirigem o Sínodo. Os que querem se adaptar ao mundo. Matrimônio, Celibato, sacerdotisas, tudo deve mudar, na convicção de que assim haverá uma nova primavera da Igreja. Como se não bastasse o exemplo dos protestantes para desmentir essa ilusão. Não veem que, ao contrário, destroem a Igreja, são como cegos que caem no poço. Mas, se alguém diz algo, é imediatamente marginalizado, taxado como inimigo do Papa.

NOTAS.

[1]. cf. [http://www.lanuovabq.it/it/sinodo-amazzonia-un-pretesto-per-cambiare-la-chiesa].

[2]. cf. [https://secretummeummihi.blogspot.com/2019/07/el-sinodo-para-la-amazonia-como.html].

[3]. cf. [https://secretummeummihi.blogspot.com/2019/06/heretico-y-apostata.html].

[https://infovaticana.com/2019/07/11/muller-sobre-el-documento-del-sinodo-de-la-amazonia-herejia-no-solamente-tambien-es-estupidez/].

Tradução. Bruno Braga

Via Obra Missionária

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